Passarinha…

Eu falei no post anterior sobre a ação das meninas super poderosas do @temcriançalendo cujo tema de hoje é adversidades da vida. Morte, catástrofes… mas apesar do peso que o tema carrega, encontrei livros de pura poesia e encanto. No instagram @casadeleitores comentei sobre A MENINA NINA de Ziraldo. Choreeeei…

Na semana passada me encantei com as palavras do meu amigo Jucelino Bispo ao resenhar um livro que ele leu: Passarinha. Um livro sobre o mundo no ponto de vista de uma menina autista em meio a tantos acontecimentos difíceis de sua vida. Eu ainda não li, mas amei tanto tudo que ele disse que resolvi pedir permissão e deixar esse gostinho do livro também com vocês.

Passarinha – Kathryn Erskine

Resenha de Juscelino Bispo

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Escolhido pela curiosidade em conhecer uma nova escritora, principalmente uma que se arriscasse a não tratar de obviedades, o livro surpreendeu tanto pelo tema como pela forma de narração. Ao invés de apresentar os fatos a partir do ponto de vista de um adulto e capturar os leitores por meio de um texto que provasse sua habilidade narrativa, a autora escolheu oferecer aos leitores o ponto de vista da própria criança, com a inocência e limitação de quem vive em um mundo à parte. A estratégia é bem interessante porque o leitor, ao tentar visualizar as cenas, tem quase sempre a impressão de conseguir ver tudo literalmente pelos olhos do personagem.

fefe

Passarinha conta a história de Caitlin, uma menina de 10 anos, autista, portadora da Síndrome de Asperger, que tem que lidar com os desafios próprios da síndrome e com a perda recente da mãe para um câncer e do irmão, assassinado em um tiroteio na escola. “- Finesse? – Isso. – Gostei dessa palavra. O que ela quer dizer? – Fazer uma coisa com tato e habilidade ao lidar com uma situação difícil. – Fico surpresa por só estar aprendendo essa palavra agora. Ela é a minha cara! É o que tento fazer todos os dias para lidar com essa situação difícil chamada vida.”

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Caitlin, por um lado, vive num mundo praticamente preto e branco, tem dificuldade de interagir com pessoas desconhecidas, e, portanto, de ter amigos e não consegue captar o sentido das coisas ordinária para a maioria das pessoas como, por exemplo, expressões faciais e sentimentos. “Acho que não vou gostar nada disso. Acho que vai doer, mas talvez depois da dor eu consiga fazer uma coisa boa, forte e bonita de tudo isso.” Por outro lado, é uma criança com uma incrível capacidade de leitura e de memorização, atraída pelos livros e dicionários, de onde ela busca entender o mundo ao seu redor.

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“Às vezes eu leio os mesmos livros uma vez atrás da outra. O bom dos livros é que as coisas do lado de dentro não mudam. Livros não são como pessoas. Livros são seguros.”

É comovente o esforço da personagem na tentativa de superar a morte do irmão, que a protegia e tentava traduzir o mundo para ela, e ter que lidar com o pai, mergulhado na depressão. Apesar do fundo trágico, a autora é muito feliz em conduzir o leitor em meio a pequenas vitórias diárias na busca de um bom desfecho, uma das palavras que a personagem tenta entender na prática.

“Embora eu não achasse que iria gostar da empatia, ela é uma coisa assim que chega sem avisar e faz você sentir um calorzinho gostoso no coração. Acho que não quero voltar para uma vida sem empatia. A empatia não é tão difícil quanto parece porque muitos dos sentimentos das pessoas são os mesmos. E isso ajuda a compreender os outros porque aí a gente pode realmente se preocupar com eles de vez em quando. E ajuda-los. E ter amigos.”

Uma ótima oportunidade para entender um pouco melhor o universo do autismo, além de despertar em nós a empatia, a solidariedade, a paciência e a persistência necessária para conviver bem com as pessoas que vêem o mundo de forma diferente.

“Se todos compreendêssemos melhor uns aos outros, poderíamos fazer um grande avanço para deter a escalada da violência. Todos desejamos ser ouvidos e compreendidos. Alguns de nós se expressam melhor do que outros. Alguns de nós tem problemas sérios e que precisam ser abordados, não ignorados, custe o que custar.”

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